A realidade restringe-nos a uma vida de obrigações, tarefas diárias de uma rotina incessante. A imaginação liberta-me, são pensamentos mudos. Dentro da minha cabeça eu vivo uma vida muito mais interessante. Tomo facilmente o papel de herói, meço forças com dragões, oiço o canto das sereias, percorro grandes distâncias, pego no meu sabre de luz e vejo outros mundos... sou jovem para sempre.
Perguntem-me sobre o meu top5 de filmes e Sin
City está lá. É com muita satisfação que vejo agora vir a caminho uma sequela.
Uma cidade de crime e corrupção com vilões de uma monstruosidade
nata onde só heróis de uma moral duvidosa os podem deter. Um mundo de visual soturno
saído da imaginação do lendário Frank Miller, com historias que nos deixam com fome pelo seu desenrolar.
A arte dá aos fãs, e são depois eles a dar vida àquilo que gostam, com imaginação, habilidade e paixão.
As novas tecnologias não só abriram uma nova porta para
expressar a criatividade como facilitaram a sua divulgação. Exemplos disso são
as web séries e dentro desse grupo temos Vampiros da Mata da Serreta, uma web
série portuguesa.
Recentemente pude fazer algumas perguntas a um dos autores (Marco Coelho) e
satisfazer algumas curiosidades:
1) Vampiros
da Mata da Serreta, quem são os seus criadores?
Os Vampiros da Mata da Serreta foram criados por um casal de
tolos que não sabiam no que se estavam a meter de seus nomes Marco Coelho e
Soraia Bettencourt.
2) Porquê Vampiros? Porque não uma web série policial ou um western por exemplo?
Temos um particular fascínio por criaturas místicas e uma
série de vampiros pareceu um pouco mais divertido que um policial. Como um
primeiro projeto pareceu-nos ser o mais adequado para nós.
3) Parece
que adotaram o vampiro tradicional invés do visual moderno que nos foi
apresentado agora em Twilight e outros. Porquê? E como veem a evolução do
vampiro para o que agora os adolescentes são expostos?
Somos adeptos dos vampiros tradicionais, e uma das
principais razões da existência de “vampiros na mata da serreta”, foi o abrupto
aparecimento de vampiros pouco tradicionais, se assim se pode dizer. A intensão
inicial da serie era uma sátira aos novos vampiros, o que na realidade não
aconteceu, mas não quer dizer que não o possa acontecer.
Não nos opomos minimamente aos novos vampiros, há
lugar/mercado para esta evolução, nós particularmente preferimos os
tradicionais. Se formos a ver de Nosferatu até Drácula de Bram Stoker filme, pois
ambos os filmes são baseados no mesmo livro, houve uma evolução era natural que
a evolução continuasse, nunca esperamos que eles brilhassem com a luz do sol ou
passassem a ter reflexo.
4) Como tem
sido a vossa experiencia? Estão a gostar?
A experiência tem sido muito boa, começamos o projeto ou
brincadeira como quiserem chamar, com a ajuda de uma amiga a Vanessa Amaral e
de momento já somos uma equipa de vários elementos o que nos permite ir
evoluindo e disfrutar mais o processo de criação da série.
5) Existe
alguma obra literária, filme ou série televisiva sobre o tema que recomendem?
Por norma vemos ou tentamos ver todos os filmes e séries que
saem relacionadas com vampiros, mas maior parte não são recomendáveis.
A nível de séries as que mais gostamos são o True Blood e
The Originals, livros sem sombra de dúvidas o Drácula de Bram Stoker (edição
original – Inglês) e filmes não poderíamos deixar de recomendar o Nosferatu
(1922) sendo o primeiro filme da temática, os “Draculas” com Bela Lugosi e claro
o de Bram Stoker. Um filme mais “recente”, recomedaria “A Sombra do Vampiro” de Elias Merhige, que é
uma história passada no “backstage” das gravações do Nosferatu.
6) O que
podemos esperar de Vampiros da Mata da Serreta daqui para a frente?
Sangue, muito sangue! Estou a brincar. Gostei muito de
trabalhar neste último episódio, pois entrou muito mais “numa onda” de (pseudo)
terror. E com o fim desta primeira temporada de episódios à porta, vamos tentar
tornar a série um pouco mais séria e um pouco mais sangrenta. Gostaríamos de
evoluir nesse sentido.
Preparem-se para o que de melhor a tecnologia nos pode
trazer. Atrevemo-nos a dizer que não precisamos deles, mas sem eles, ficamos
vulneráveis a inimigos estranhos que não sabemos compreender e muitas vezes
vulneráveis à nossa própria humanidade. É absurdo que sejam precisas máquinas
para nos lembrar de valores como honra, lealdade, coragem e bondade.
Eles estão de volta, mesmo que lhes viremos as costas eles
não nos abandonam. Eles são os Transformers.
Porquê Nova Fantasia? Porque Martin deixa o cliché do Senhor
do mal que ameaça a terra e os bons que são bonitos e vestidos de branco que
lutam contra os maus que são repugnantes e vestem de preto. Martin oferece
maior realismo à fantasia. Nenhuma personagem é inteiramente vil e nenhum personagem
é inteiramente bom. São personagens complexos onde a definição de bem e mal
muitas vezes se resume a um ato e uma escolha. As personagens no seu livro são
complexos e lidam com os mesmos dilemas que nós podíamos lidar, num mundo tão
perigoso como Westeros.
Não censuro as pessoas por o compararem a J. R.R. Tolkien.
Como Martin diz, "Depois de Tolkien, todos os que escreveram sobre Fantasia, fizeram-no na sua sombra, tão marcante foi aquilo que criou". Acho no entanto absurdo as pessoas quererem
escolher quem é o melhor. Não será o melhor apenas apreciar os dois? Sem criar
nas nossas mentes possíveis desagrados sobre uma ou outra obra? George Martin
tem a maior admiração e respeito por Tolkien, não existe nenhuma guerra, senão
a criada por alguns fãs.
Acho este autor uma inspiração e no geral uma boa
pessoa.
mas enquanto fui
transportado para o passado na primeira temporada experienciando diferentes
costumes e pontos de visão diferentes da sociedade moderna, nesta temporada receio
que me seja só mostrado o passado pelo olhar crítico do homem moderno. Passo a
explicar: O show abre com uma magnífica batalha que sofre com dramatismos de
combates singulares que retratam mal a veracidade de uma batalha que devia em
muito ser caótica e com pouco tempo para o bonito invés do eficaz.
Ao argumento faltou alguma criatividade para superar aqueles
suspenses tão bons que nos prendem aos shows.
Espero que ventos mais favoráveis enchem as velas quadradas.